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D. Pedro I é Iniciado na Maçonaria

Em 20 de agosto de 1822, D. Pedro I é iniciado, elevado e exaltado numa única noite na Loja Comércio e Artes — adotando o nome simbólico "Guatimozin" e tornando-se irmão de José Bonifácio dezoito dias antes do Ipiranga.

data20 de agosto de 1822 localRio de Janeiro

imagem: Placeholder — substituir por retrato de D. Pedro I (Jean-Baptiste Debret ou equivalente em domínio público).

20 de agosto de 1822. Na Loja Comércio e Artes, no Rio de Janeiro, o Príncipe Regente do Brasil desce do trono e senta-se como profano à espera de admissão. Naquela noite, D. Pedro de Alcântara foi iniciado, elevado ao segundo grau e exaltado ao terceiro — as três etapas que normalmente tomam meses sendo condensadas em uma única cerimônia noturna.

Faltavam dezoito dias para o Ipiranga.

O contexto: uma semana de humilhações

Sete dias antes da iniciação, D. Pedro havia recebido os emissários enviados pelas Cortes de Lisboa. As ordens eram explícitas e humilhantes: devia retornar a Portugal imediatamente, anular as reformas administrativas do Brasil, dissolver o Conselho de Estado que havia formado ao lado de Bonifácio. O Brasil seria reduzido novamente a colônia.

Pedro recusou. Mas recusar sozinho, como príncipe, era uma coisa. Recusar como parte de uma irmandade politicamente organizada era outra.

O nome: Guatimozin

Ao ser iniciado, D. Pedro adotou o nome simbólico “Guatimozin” — grafia portuguesa para Cuauhtémoc, o último imperador asteca, capturado por Hernán Cortés em 1521 e torturado até a morte para que revelasse o esconderijo do tesouro de Tenochtitlán. Guatimozin não cedeu. Foi executado em 1525.

A escolha não era aleatória. Num momento em que D. Pedro se preparava para romper com Lisboa, nomear-se Guatimozin era traçar uma analogia explícita: Portugal como Cortés, Brasil como o povo asteca, e o príncipe como o líder que preferia resistir a submeter-se. Era um manifesto velado, expressos em linguagem simbólica — a linguagem própria da Maçonaria.

Sou maçom como sou príncipe — para servir, não para reinar sobre os irmãos.

— D. Pedro I, na iniciação (paráfrase atribuída)

A cerimônia condensada

Percorrer os três graus do rito escocês numa única noite era incomum — mas não sem precedente em casos de urgência política. José Bonifácio, padrinho da cerimônia e Grão-Mestre do GOB, sabia que o tempo era curto. As articulações finais para a ruptura com Portugal dependiam de ter o príncipe formalmente dentro da irmandade, vinculado pelos laços do juramento.

Joaquim Gonçalves Ledo também estava presente. Apesar das tensões crescentes entre ele e Bonifácio sobre o rumo da Independência, ambos concordavam nessa noite: o lugar de D. Pedro era dentro da loja.

Dezoito dias

Em 7 de setembro de 1822, às margens do Riacho do Ipiranga, D. Pedro I proclamou a Independência do Brasil. Quando rasgou o laço azul e branco do chapéu e gritou pela primeira vez “Independência ou Morte”, era o Príncipe Regente falando — mas também o irmão Guatimozin, recém-iniciado, cumprindo o que havia sido decidido nas lojas semanas antes.


Sabia que… Cuauhtémoc — Guatimozin — foi torturado sobre brasas vivas por Hernán Cortés, que exigia saber onde estava o ouro asteca. Quando um companheiro ao seu lado implorou clemência, Guatimozin respondeu: “Acho que estou num leito de flores?” A escolha desse nome por D. Pedro, em agosto de 1822, era uma declaração sobre resistência ao colonizador — com Lisboa no papel de Cortés.

— personagens —

D. Pedro I

Iniciado, elevado e exaltado na mesma noite; nome simbólico Guatimozin

José Bonifácio de Andrada e Silva

Padrinho da iniciação

Joaquim Gonçalves Ledo

Presente na cerimônia

— fontes —

  • D. Pedro I — Um Herói sem Nenhum Caráter — Paulo Rezzutti
  • História do Grande Oriente do Brasil — Kennyo Ismail