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A Fundação do Grande Oriente do Brasil

Em 17 de junho de 1822, três lojas do Rio se fundem para criar o Grande Oriente do Brasil — três meses antes do Ipiranga, com José Bonifácio como Grão-Mestre e a Independência como objetivo explícito.

data17 de junho de 1822 localRio de Janeiro

imagem: Placeholder — substituir por imagem do Rio de Janeiro em 1822 ou retrato de José Bonifácio.

17 de junho de 1822. No Rio de Janeiro, três lojas maçônicas encerram sua existência autônoma e se fundem em algo novo e sem precedentes: o Grande Oriente do Brasil. As lojas eram Comércio e Artes, União e Tranquilidade e Esperança de Niterói.

Faltavam exatamente oitenta e um dias para o Ipiranga.

Não foi coincidência

A fundação do GOB não foi um ato de ritual — foi um ato político. Naquele exato momento, a tensão entre o Brasil e Lisboa havia atingido o ponto de ruptura. As Cortes portuguesas exigiam que D. Pedro retornasse a Lisboa, que o Brasil fosse reduzido novamente ao estatuto de colônia, que os ministérios instalados no Rio desde 1808 fossem desmantelados.

Quem não se governa por leis suas, há de obedecer às leis dos outros.

— José Bonifácio de Andrada e Silva

Criar uma grande obediência unificada — com um Grão-Mestre, uma estrutura hierárquica, lojas filiadas — era criar uma cadeia de comando paralela à cadeia colonial. O GOB nasce como instrumento de coordenação para a Independência.

Os três líderes

José Bonifácio de Andrada e Silva foi eleito o primeiro Grão-Mestre. Aos cinquenta e nove anos, era o homem mais experiente e respeitado do grupo — geólogo de formação europeia, ex-intendente geral de minas de Portugal, homem de redes internacionais. Sua visão para a Independência era conservadora: monarquia constitucional, Pedro como imperador, transição ordenada.

Joaquim Gonçalves Ledo, eleito Grande Secretário, era o contrapeso. Vinte anos mais jovem, jornalista combativo, defendia uma Assembleia Constituinte de base mais popular e tinha desconfiança do poder excessivo concentrado nas mãos do príncipe. A tensão entre ele e Bonifácio estruturaria toda a política maçônica brasileira nos meses seguintes.

José Clemente Pereira, Grande Orador, era o moderado — homem de lei e de persuasão, que já havia articulado o abaixo-assinado do “Fico” em janeiro.

Duas facções, um objetivo

A fundação do GOB reuniu dois projetos distintos debaixo de um mesmo teto. O grupo bonifaciano queria a Independência como projeto de cima para baixo: o príncipe declara, as elites organizam, o povo aclama. O grupo ledista queria participação mais ampla, uma constituinte eleita, limites reais ao poder imperial.

Por ora, ambos concordavam no essencial: o Brasil devia separar-se de Portugal. O conflito sobre como ficaria para depois — e seria violento.

A loja Comércio e Artes

O coração operacional do GOB era a loja Comércio e Artes, que funcionava na esquina da atual Rua do Lavradio com a Rua Visconde do Rio Branco, no Rio de Janeiro. Dali partiam as cartas para as províncias, as articulações com D. Pedro, os manifestos políticos que circulavam como panfletos e eram lidos nas tavernas e nas igrejas.

O nome “Lavradio” segue vivo no bairro carioca — um eco geográfico do lugar onde a Independência foi pensada.


Sabia que… A loja Comércio e Artes, berço do GOB, funcionava no que hoje é o bairro do Lavradio, no Rio de Janeiro — região que até hoje preserva o nome e, por coincidência histórica, concentra antiquários e comércios de objetos antigos, como se o passado se recusasse a sair dali.

— personagens —

José Bonifácio de Andrada e Silva

Primeiro Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil

Joaquim Gonçalves Ledo

Primeiro Grande Secretário

José Clemente Pereira

Primeiro Grande Orador

Padre Belchior Pinheiro de Oliveira

Maçom e testemunha ocular do Ipiranga

— fontes —

  • História do Grande Oriente do Brasil — Kennyo Ismail
  • D. Pedro I — Um Herói sem Nenhum Caráter — Paulo Rezzutti
  • A Independência do Brasil — Lília Moritz Schwarcz