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D. Pedro I é Eleito Grão-Mestre do GOB

Vinte e oito dias após o Ipiranga, José Bonifácio renuncia ao posto de Grão-Mestre e D. Pedro I — agora Imperador aclamado — é eleito para liderar o Grande Oriente do Brasil, acumulando em menos de três meses três títulos distintos.

data05 de outubro de 1822 localRio de Janeiro

imagem: Placeholder — substituir por retrato de D. Pedro I em trajes imperiais (domínio público).

5 de outubro de 1822. Vinte e oito dias haviam se passado desde o grito do Ipiranga. D. Pedro I, Imperador aclamado mas ainda não coroado, recebeu mais um título: Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil.

Em menos de três meses, um jovem de vinte e quatro anos havia acumulado: Príncipe Regente, Imperador aclamado e Grão-Mestre da principal obediência maçônica do país. O ritmo era vertiginoso. E o edifício estava prestes a rachar.

A renúncia de Bonifácio

José Bonifácio renunciou ao posto de Grão-Mestre que havia exercido desde a fundação do GOB, em junho. A renúncia não foi um gesto de modéstia — foi um movimento político calculado.

Dentro do GOB, a tensão entre a facção bonifaciana e a facção ledista havia se intensificado desde a Independência. Bonifácio queria uma monarquia forte, com Pedro acima dos partidos e das lojas, exercendo poder sem os freios que Ledo e os liberais queriam impor. Ledo queria uma constituinte de base mais popular, limites reais ao poder imperial, e desconfiava profundamente de Bonifácio.

Ao ceder o posto de Grão-Mestre para o próprio Imperador, Bonifácio fez algo engenhoso: transferiu a autoridade máxima do GOB para um homem que estava acima de qualquer facção — e que, por temperamento e interesse, favoreceria a ordem sobre a contestação.

Aceito o malho como aceitei o cetro: pelo Brasil.

— D. Pedro I (paráfrase do momento da eleição)

O que significava ser Imperador-Grão-Mestre

A posição era sem precedente na história maçônica. Em tese, o Grão-Mestre de uma obediência lidera por autoridade ritual, não por poder civil. Na prática, tendo o Imperador como Grão-Mestre, a distinção tornava-se fictícia: qualquer decisão do GOB passava pelo mesmo homem que assinava decretos imperiais.

Para a facção bonifaciana, isso era o objetivo. Para a facção ledista, era uma armadilha — a Maçonaria como instrumento de poder imperial em vez de contrapeso a ele.

O centro de uma tormenta

D. Pedro I encontrou-se no centro de um conflito que não compreendeu plenamente e que não soube — ou não quis — administrar. Homem de ação impulsiva, acostumado a decidir rapidamente, não tinha paciência para o jogo lento das facções maçônicas.

O resultado chegaria em vinte dias. No mesmo mês em que foi eleito Grão-Mestre, D. Pedro assinaria o decreto que suspenderia as atividades de toda a Maçonaria no Império.


Sabia que… O intervalo entre o grito do Ipiranga (7 de setembro) e a coroação oficial de Pedro como Imperador (1 de dezembro de 1822) foi de apenas oitenta e seis dias. Dentro desse mesmo intervalo, Pedro foi eleito Grão-Mestre e decretou a suspensão da Maçonaria. Os três maiores marcos do seu poder foram comprimidos em menos de três meses.

— personagens —

D. Pedro I

Eleito Grão-Mestre do GOB

José Bonifácio de Andrada e Silva

Grão-Mestre renunciante

Joaquim Gonçalves Ledo

Líder da facção liberal, crescentemente marginalizado

— fontes —

  • História do Grande Oriente do Brasil — Kennyo Ismail
  • D. Pedro I — Um Herói sem Nenhum Caráter — Paulo Rezzutti
  • A Independência do Brasil — Lília Moritz Schwarcz