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A Revolução Pernambucana

Em 6 de março de 1817, Recife rompe com Portugal e instaura um governo provisório republicano que durou 75 dias — liderado em grande parte por maçons herdeiros da Loja Cavaleiros da Luz.

data06 de março de 1817 localPernambuco

imagem: Placeholder — substituir por ilustração da Revolução Pernambucana ou retrato de Frei Caneca.

Na manhã de 6 de março de 1817, um conflito armado nas ruas de Recife transformou-se em revolução. Um governador português foi deposto. Um governo provisório republicano foi proclamado. Pela primeira vez em toda a América portuguesa, uma região do Brasil tentava se autogovernar sem rei.

Durou 75 dias.

As causas: impostos, humilhação e ideias perigosas

Pernambuco acumulava ressentimentos. A capitania era produtiva — algodão, açúcar, gado — mas os tributos fluíam para Lisboa e para o Rio, sede da corte desde 1808. Portugueses nascidos na metrópole dominavam os cargos mais lucrativos. As ideias iluministas e republicanas circulavam desde pelo menos 1797, quando a Loja Cavaleiros da Luz havia reunido os primeiros maçons em Recife.

A convergência era inevitável: homens com formação europeia, privados de poder político e econômico, com um modelo republicano americano bem-sucedido à sua vista e uma rede de lojas maçônicas para coordenar a ação.

O governo dos 75 dias

O governo provisório foi constituído por representantes de quatro grupos: laicos, militares, clérigos e comerciantes. Domingos José Martins, comerciante de prestígio e maçom, foi uma das figuras centrais. O novo governo aboliu os impostos mais onerosos, proclamou a liberdade de imprensa e enviou Antônio Gonçalves da Cruz, o “Cabugá”, como emissário aos Estados Unidos — buscando reconhecimento diplomático para a república recém-nascida.

Não há liberdade que se mendigue — há liberdade que se conquista ou se perde de vez.

— Frei Caneca (no espírito do pensamento revolucionário pernambucano)

Frei Caneca — Joaquim do Amor Divino Rabelo e Monteiro, frade carmelita e jornalista — estava presente. Não era o líder formal, mas era a voz: escrevia, pregava, dava sentido teórico à revolução. Sobreviveria a 1817 para ser executado em 1825, na Confederação do Equador.

A repressão

D. João VI respondeu com força desproporcional. Tropas enviadas do Rio e da Bahia cercaram Pernambuco. O governo provisório resistiu alguns dias e capitulou em maio. Domingos José Martins foi preso, julgado e fuzilado — seu corpo exposto em praça pública como advertência. Padre João Ribeiro suicidou-se para não cair nas mãos das tropas reais. Outros foram enforcados, degredados, exilados.

A brutalidade da repressão gerou efeito oposto ao desejado: tornou os mártires de 1817 uma memória viva que alimentaria gerações de republicanos brasileiros.

O legado maçônico

A Revolução Pernambucana não foi uma revolução maçônica no sentido formal — mas a rede de relações, a linguagem política e boa parte da liderança vieram das lojas. O fracasso de 1817 não apagou o que havia sido experimentado: um povo português havia tentado se governar como república. Cinco anos depois, em 1822, a Independência usaria outros instrumentos — monarquia em vez de república, Rio em vez de Recife — mas beberia das mesmas fontes.


Sabia que… A bandeira da Revolução Pernambucana — azul, branca e vermelha, com um arco-íris e uma cruz no centro — é a base da atual bandeira do estado de Pernambuco. A cada vez que se vê aquela bandeira, vê-se um eco de 1817.

— personagens —

Domingos José Martins

Comerciante maçom, líder do governo provisório

Padre João Ribeiro

Clérigo revolucionário que se suicidou para não ser preso

Frei Caneca

Frade carmelita, jornalista, executado em 1825

Antônio Gonçalves da Cruz "Cabugá"

Emissário enviado aos Estados Unidos

— fontes —

  • A Revolução Pernambucana de 1817 — Carlos Guilherme Mota
  • Frei Caneca: O Homem, o Frade, o Revolucionário — Marco Morel