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Os Maçons na Revolução Americana
George Washington, Benjamin Franklin, Paul Revere e outros líderes revolucionários eram maçons — a Ordem não fez a Revolução, mas forneceu a rede que conectou seus arquitetos.
N a madrugada de 18 para 19 de abril de 1775, Paul Revere cavalgou de Boston a Lexington para alertar os colonos de que tropas britânicas estavam em marcha. Poucas horas depois, os primeiros tiros da Revolução Americana soariam no campo de batalha de Lexington. O que o folclore patriótico nem sempre menciona é que Revere era Mestre Instalado da St Andrew’s Lodge de Boston — e que muitos dos homens que aguardavam seu aviso também o eram.
A presença maçônica na liderança da Revolução Americana é um fato histórico bem documentado, embora as interpretações sobre sua importância variem consideravelmente. George Washington foi iniciado em 4 de novembro de 1752 na Loja de Fredericksburg n° 4, na Virgínia, quando tinha apenas 20 anos. Subiu os graus com regularidade e, em 1788, foi eleito Venerável Mestre da Loja de Alexandria. Comandou o Exército Continental durante oito anos de guerra como maçom declarado, e sua adesão à Ordem era assunto de domínio público — o que não era pouco em uma época em que a Maçonaria já carregava suspeitas nos meios conservadores europeus.
Benjamin Franklin era maçom desde 1731, iniciado na Loja St John de Filadélfia. Tornando-se Grão-Mestre Provincial da Pensilvânia, usou seus contatos maçônicos durante a missão diplomática em Paris (1778–1785) para articular o apoio francês à causa americana. Em Paris foi admitido como membro honorário da Loge des Neuf Sœurs (“As Nove Irmãs”), a mais intelectual das lojas parisienses, e foi ali que presenciou um dos atos simbólicos mais célebres da Maçonaria setecentista: a iniciação de Voltaire, em fevereiro de 1778. O filósofo tinha 83 anos, mal se sustentava em pé — e Franklin ajudou a sustentar seu avental durante o ritual.
Onde a liberdade habita, ali é minha pátria.
Entre os 56 signatários da Declaração de Independência (1776), pelo menos nove eram maçons documentados, entre eles o próprio Franklin e John Hancock, presidente do Congresso Continental. Paul Revere chegaria a Grão-Mestre de Massachusetts em 1795. Em torno do Boston Tea Party (dezembro de 1773) — o ato de desobediência civil em que colonos, fantasiados de indígenas Mohawk, despejaram 342 caixas de chá britânico no porto —, alguns historiadores apontam que parte dos participantes eram membros da St Andrew’s Lodge, e que o ato pode ter sido planejado durante reuniões da loja. Essa hipótese é debatida: não há atas que o provem, mas a coincidência geográfica e pessoal é notável.
O que conecta todos esses fatos não é uma conspiração, mas uma convergência de valores. A Maçonaria do século XVIII ensinava que todos os irmãos eram iguais dentro da loja, independentemente de berço ou fortuna; que o governo legítimo depende do consentimento dos governados; e que a consciência de cada homem é soberana em matéria de crença. São exatamente os princípios que a Declaração de Independência e a futura Constituição americana traduziriam em linguagem política. A Ordem não criou esses ideais — eles vinham de Locke, de Montesquieu, do Iluminismo —, mas ofereceu um espaço ritualizado onde líderes coloniais praticaram, semana após semana, a sociabilidade igualitária que depois foram construir numa nação.
Lafayette, o oficial francês que cruzou o Atlântico para lutar ao lado de Washington, foi iniciado nesse contexto e tornou-se o elo humano entre as revoluções americana e francesa. Quando voltou à França, levou consigo não apenas a experiência militar, mas a convicção de que uma república de cidadãos livres era possível — e que a irmandade maçônica podia ser o ensaio geral dessa liberdade.
— personagens —
George Washington
General, primeiro presidente, iniciado em 1752 e Grão-Mestre da Loja de Alexandria
Benjamin Franklin
Diplomata e cientista, Grão-Mestre Provincial da Pensilvânia, irmão de Voltaire em Paris
Paul Revere
Artesão e patriota, Mestre da St Andrew's Lodge de Boston e Grão-Mestre de Massachusetts
Marquês de Lafayette
Oficial francês voluntário, maçom, elo entre as revoluções americana e francesa
— fontes —
- George Washington — The Masonic Legend — Allen E. Roberts
- Benjamin Franklin — An American Life — Walter Isaacson
- Paul Revere's Ride — David Hackett Fischer